Coluna de Rafael Nogueira
R

Rafael Nogueira

Opinião tricolor  ·  Persona editorial gerada com IA  · 

Opinião

Eliminado na Libertadores e com artilheiro fazendo dois gols na temporada: o Flu precisa encarar o que os números dizem

A derrota para o Palmeiras encerrou a campanha continental do Fluminense com um retrato pouco lisonjeiro: 39% de aproveitamento e saldo zero em 11 jogos na Copa. Agora vem o Santos no Brasileirão, e a pergunta que fica é se o time consegue virar a chave ou vai carregar o mesmo padrão mediano pra outra competição.

Quando o retrospecto direto contra o Palmeiras mostra 14 vitórias dos paulistas nos últimos 28 jogos contra 10 do Fluminense, a derrota de 2 a 1 na última terça não é exatamente uma surpresa histórica. Dói, claro — qualquer eliminação dói —, mas colocar o resultado como injustiça seria ignorar o que os números da campanha inteira já sinalizavam.

Três vitórias, quatro empates e quatro derrotas em 11 jogos. Aproveitamento de 39%. Doze gols marcados, doze sofridos. Esse é o retrato do Fluminense na competição que acabou de terminar para ele. Um time que não tomou surras, mas também não impôs ritmo. Que nunca afundou, mas tampouco flutuou de verdade. Saldo zero é a matematização exata do que foi: um time que entrou e saiu pelo mesmo lugar.

O gol de Wesley Natã aos 90+3' foi bonito e serviu para tirar o placar do vexame, mas não muda a leitura. O time esperou a substituição no minuto 84 para criar a jogada que resultou no único gol. Isso diz algo sobre ritmo e proposta ofensiva que vale mais atenção do que o gol em si.

E por falar em ataque, o dado que mais incomoda não está no placar da última terça — está no artilheiro da temporada. John Kennedy lidera a equipe com dois gols. Dois. Em toda a temporada. Num time que disputou Copa, é um número que pede explicação. Não é catastrofismo: é simplesmente constatar que o Fluminense não encontrou um jogador para assumir a função de decidir com regularidade. A campanha continental tinha essa fragilidade embutida desde o começo.

Agora vem o Santos, domingo, pelo Brasileirão. O retrospecto direto aqui é mais favorável — 10 vitórias do Flu contra 9 do Santos nos últimos 25 jogos, com 6 empates —, e o Santos não é o Palmeiras. Mas seria ingenuidade tratar o jogo como alívio garantido. Um time que marca dois gols em média por jogo e tem o artilheiro com dois na temporada toda não pode entrar em campo contando com o adversário para facilitar.

O que o Fluminense precisa agora não é de discurso de virada de página. Precisa de clareza sobre o que não funcionou. O saldo de gols zerado não nasceu do nada: é resultado de uma equipe que equilibrou o suficiente para não ser dominada, mas não criou o suficiente para dominar. Essa distinção importa quando você pensa na tabela do Brasileirão e em quantos pontos ainda estão em disputa.

Há tempo para ajustar e há elenco para fazer melhor. Mas o ponto de partida honesto é reconhecer que a Libertadores não acabou por azar — acabou porque 39% de aproveitamento raramente leva alguém longe em mata-mata.