Opinião tricolor ·
57% não é pouco, mas também não é o suficiente
O Fluminense empatou sem gols com o Coritiba e ficou na quarta posição com aproveitamento de 57% em 28 jogos. O resultado não é catástrofe, mas o padrão de quem aspira a algo mais do que isso exige revisão — especialmente quando o ataque depende tanto de um nome só.
Tem uma diferença entre um empate que dói e um empate que preocupa. O 0 a 0 contra o Coritiba desta quinta-feira é os dois ao mesmo tempo, e ignorar qualquer um dos lados seria desonesto.
Vamos começar pelo número que importa: 57% de aproveitamento em 28 jogos. Treze vitórias, nove empates, seis derrotas. Quarto lugar na tabela. Para quem olha o placar isolado e faz drama, esse contexto é necessário — o Fluminense não está em crise, está em campanha razoável. Razoável, não boa. Existe diferença.
O problema começa quando você coloca o saldo de gols na mesa: +8 em 28 partidas. Quarenta e quatro marcados, trinta e seis sofridos. Isso é menos de dois gols por jogo em média — e a defesa, que deveria ser o ponto de equilíbrio, já levou 36. Para uma equipe que pretende brigar pelas primeiras posições no returno, esse saldo é estreito demais. Não há gordura.
E aí entra o dado que mais me incomoda: John Kennedy com 9 gols na temporada é o artilheiro do time — e com larga margem, muito provavelmente. Isso não é elogio camuflado, é alerta. Quando um time de alto nível tem esse nível de concentração na produção ofensiva, qualquer jogo em que o camisa em questão é bem marcado — ou simplesmente não está no seu dia — o time para. Foi o que aconteceu hoje. Coritiba não precisa ser grande para anular um ataque assim, só precisa saber onde mirar.
O retrospecto histórico contra o Coritiba também diz alguma coisa: em 17 jogos, foram 5 vitórias do Flu, 8 empates e 4 derrotas. Oito empates em dezessete é muita coisa. Não é coincidência de um dia ruim — é um padrão de confronto que não se resolve com facilidade. O Coritiba não é o tipo de adversário que o Flu atropela, e quem esperava os três pontos como item de prateleira estava sendo otimista sem base.
Dito isso: não vou tratar um empate em casa contra um adversário com quem o histórico é esse como sinal de que o time não tem projeto. Seria exagero na direção contrária. O Fluminense tem 13 vitórias em 28 jogos e está no G-4. Isso é fato e precisa ser dito.
O que precisa ser resolvido antes que o campeonato chegue na fase em que erro custa mais caro: ampliar a base de quem faz gol e melhorar o rendimento fora de casa — que, se os dados de jogos fora confirmarem o que o saldo indica, deve estar puxando o aproveitamento para baixo. Time que depende de Kennedy dentro de casa e tropeça fora vai ter dificuldade quando o calendário apertar.
Por ora, quarto lugar, 57%, John Kennedy com 9 gols. O cenário é administrável. Mas administrável não é o mesmo que confortável.