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Derrota no clássico, Libertadores em casa: o Flu entra na semana mais importante do mês sem margem para ilusão
O Fluminense perdeu o clássico para o Flamengo por 1 a 0 e carrega o resultado para uma semana que já começa com outro peso: a partida contra o Palmeiras pela Libertadores. Com 57% de aproveitamento e terceiro lugar garantido por ora, o time não está mal — mas a forma como perdeu sábado levanta perguntas que o placar não responde sozinho.
Perder clássico incomoda, esse é o dado qualitativo. O quantitativo, porém, ajuda a calibrar o tamanho do problema. O Fluminense soma 14 vitórias, 9 empates e 7 derrotas em 30 jogos de Brasileirão — 57% de aproveitamento, terceiro lugar, saldo de gols 11. Não é uma campanha de time em crise. É uma campanha de time que compete, mas que ainda não encontrou consistência suficiente pra distanciar dos concorrentes.
O 1 a 0 para o Flamengo no sábado não muda essa fotografia de forma dramática. Mas confirma um padrão que o retrospecto já sugeria: nos últimos 57 encontros entre os dois, o Fluminense venceu 17 e o Flamengo 24. Não é detalhe. É uma diferença de dez resultados a favor do rival, o tipo de número que torna qualquer narrativa de "equilíbrio total no clássico" forçada. O Flu compete, às vezes ganha, mas o histórico recente pesa do outro lado da balança.
O jogo em si teve a cara de uma partida disputada no detalhe: cartões distribuídos, substituições táticas no segundo tempo — Ganso entrou no lugar de Acosta aos 60, Hulk apareceu depois —, e um placar que ficou no mínimo até o fim. O Fluminense não foi dominado, mas também não criou o suficiente para merecer outro resultado. Num clássico, isso costuma sair caro.
O problema imediato, porém, não é o Flamengo. É o Palmeiras.
Na quarta-feira, o Flu recebe o Palmeiras pela Copa Libertadores. E o retrospecto direto nessa competição também não favorece: em 28 jogos entre os dois, são 10 vitórias tricolores contra 14 alviverde — com apenas 4 empates. A proporção é parecida com a do clássico carioca: o Flu joga de igual pra igual, mas o adversário tem mais vitórias no histórico.
Jogar em casa ajuda. O Maracanã tende a equilibrar fatores que o retrospecto não captura. Mas um time que acabou de perder por 1 a 0 sem conseguir balançar a rede precisa de mais do que o fator casa — precisa de clareza no ataque. John Kennedy é o artilheiro da temporada com 9 gols em todas as competições, número razoável para quem carrega o peso do setor ofensivo. A pergunta que o jogo de quarta vai responder, pelo menos em parte, é se o time consegue produzir quando o adversário fecha os espaços com disciplina — e o Palmeiras costuma fazer exatamente isso.
O Fluminense está bem posicionado na tabela, tem saldo positivo e ainda briga em duas frentes. Nada disso é pouco. Mas a semana que começa agora exige mais do que aproveitamento razoável: exige uma resposta clara a duas derrotas que o retrospecto já sugeria possíveis. A Libertadores, pelo menos, vem em casa. É o menor dos alívios, mas é alguma coisa.