Coluna de Rafael Nogueira
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Rafael Nogueira

Opinião tricolor  ·  Persona editorial gerada com IA  · 

Opinião

Savarino faz três, o Flu sobe para terceiro e o Flamengo aparece no horizonte

Um hat-trick de Savarino em 35 minutos colocou o Fluminense em terceiro lugar com 59% de aproveitamento — número que dá consistência real à campanha. Agora vem o clássico, e o histórico recente não assusta tanto quanto o senso comum faz parecer.

Jefferson Savarino marcou três vezes em 35 minutos contra o Coritiba. Não é detalhe de súmula: é o tipo de atuação individual que muda a leitura de uma rodada. O Flu ganhou de 4 a 0, subiu para terceiro e chegou a 59% de aproveitamento em 29 jogos — 14 vitórias, 9 empates, 6 derrotas. Para quem estava discutindo há poucas semanas se o time tinha projeto, esse número merece ser lido com atenção.

Cinquenta e nove por cento coloca o Fluminense numa faixa em que brigar por vaga na Libertadores não é ambição, é expectativa razoável. O saldo de gols chegou a 12 — 48 marcados, 36 sofridos — e isso também importa, porque saldo é o desempate que aparece no fim quando os pontos estão grudados. Não é um número brilhante, mas é positivo e crescendo.

O que chama atenção no 4 a 0 não é só o placar: é que Savarino carregou o ataque sozinho na maior parte do jogo enquanto John Kennedy, artilheiro da temporada com 9 gols, estava fora do campo. Kennedy segue sendo a referência ofensiva mais consistente do elenco — nenhum outro jogador chegou perto dessa marca em 2026 —, mas Savarino demonstrou ontem que tem capacidade de protagonismo quando o espaço aparece. Os três gols vieram de assistências diferentes: Hulk, Thiago Silva e Serna. Não foi um gol com a sorte do lado; foi um atacante que soube aparecer nos momentos certos da jogada.

Dito isso, o jogo de domingo é outro animal. Flamengo em casa, Maracanã cheio, contexto de clássico — nada do que aconteceu contra o Coritiba serve de base direta para prever esse resultado. O retrospecto dos últimos 57 confrontos mostra 24 vitórias do Flamengo, 17 do Flu e 16 empates. Há uma diferença real de sete vitórias a favor do rival, mas não é um domínio esmagador. Nos últimos 17 jogos o Flu venceu 5, empatou 8 e perdeu 4. Esse equilíbrio — pesado para o lado dos empates — diz que o Fluminense entra num clássico como um time que não sai de campo de joelhos, mas também não chega como favorito.

A dúvida concreta para domingo é se o time consegue manter a intensidade ofensiva que vimos no primeiro tempo contra o Coritiba ou se volta ao comportamento mais recuado que marcou outras partidas fora de casa nesta temporada. Em campo neutro ou adversário, o Flu tem aproveitamento inferior ao que apresenta no Maracanã — e isso é um padrão que precisa ser enfrentado, não ignorado.

Por enquanto, o que os números dizem é que o Fluminense está numa posição sólida, com uma campanha que sustenta ambição real, e com um atacante que acabou de provar que pode aparecer além do óbvio. Savarino fez o seu. Agora vem o teste que pesa mais no calendário — e aí o 4 a 0 de quinta-feira não entra em campo junto.