O Fluminense demitiu Luis Zubeldía em 13 de agosto, a cinco dias do jogo de volta das oitavas da Libertadores contra o Independiente Rivadavia. Eu concordo que o ciclo tinha acabado — mas a decisão veio no pior momento possível do calendário. O clube está em quarto lugar no Brasileirão e vivo no mata-mata continental: isso não é campanha de demissão. Na mesma semana, o Palmeiras empatou em casa com o Cerro Porteño e ninguém cogitou tirar o Abel Ferreira. Para mim, a diretoria leu o termômetro errado, reagiu ao barulho das redes e nos entregou uma decisão de vaga com técnico interino. Ainda assim, a ida terminou 0 a 0 e uma vitória em Mendoza nos coloca nas quartas.
Em meio à eliminação de gigantes na Copa do Brasil e às críticas crescentes ao Fluminense, é hora de lembrar o caminho que o clube percorreu. A gestão tem falhas, sim — mas trocar lucidez por likes de influenciador é o pior negócio que o torcedor pode fazer.
O Flu vive uma transição inevitável: dois ídolos chegando ao fim do ciclo, um reforço veterano a caminho e um elenco que precisa crescer por conta própria. Tem coisa boa acontecendo, mas tem pergunta difícil que a diretoria precisa responder logo.
Aos 47 anos e com 40 torcendo pelo Fluminense, faço um apelo à torcida tricolor: apesar da melhor campanha estadual, do vice-campeonato carioca contra um time dez vezes mais rico, da quarta colocação no Brasileiro e dos elogios da imprensa ao elenco montado com o oitavo orçamento do país, influencers transformam a troca de data do Fla x Flu em crise. Critico pontualmente a diretoria, mas defendo que diretorias e jogadores passam — Fluminense e sua torcida, não.
O Fluminense precisa vencer o Rivadavia nesta quarta, no Maracanã, e a ausência de Lucho Acosta vai testar se o elenco tem profundidade real ou se depende demais de um homem só. Zubeldía tem opções, mas precisa de respostas — e rápido.
O Fluminense perdeu o Fla-Flu por 2 a 1 e, com ele, a ilusão de que estava acima dos próprios problemas. A derrota não foi só de resultado — foi de atitude, de escolhas e de postura dentro e fora de campo. Tem coisa séria para resolver antes que a temporada vire bagunça.