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Redação Sou Tricolor de Coração
Opinião tricolor ·
Ganso, Cano, Hulk e o Fluminense que precisa olhar pra frente sem romantismo
O Flu vive uma transição inevitável: dois ídolos chegando ao fim do ciclo, um reforço veterano a caminho e um elenco que precisa crescer por conta própria. Tem coisa boa acontecendo, mas tem pergunta difícil que a diretoria precisa responder logo.
Vamos ser diretos: o Fluminense está num momento de transição real, não de discurso. Ganso e Cano com contratos vencendo em dezembro, Hulk a caminho para preencher lacunas, e um elenco que oscila entre bons resultados e dependência excessiva de nomes consagrados. É hora de encarar isso de frente, sem drama e sem ilusão.
Começo pelo Ganso porque a situação dele é a mais urgente. O cara é um dos melhores meias do Brasil ainda hoje — quando está bem, organiza, distribui e dá ritmo ao time. Mas a diretoria do Flu ainda não sentou para conversar sobre renovação. Isso, em abril, com contrato acabando em dezembro e janela de pré-contrato abrindo em julho, não é tranquilidade — é desorganização. Se o Fluminense quer o Ganso em 2027, precisa agir agora. Se não quer, tudo bem, mas que deixe claro. Essa ambiguidade só beneficia quem quer contratá-lo, e tem gente olhando para ele, incluindo o Santos e clubes do exterior. O tempo está correndo e a diretoria parece não ter percebido.
Cano é outro capítulo. Respeito total ao que ele fez com a camisa tricolor, mas o que se vê hoje é um atleta limitado pelas lesões, longe de ser o centroavante dominante que foi. A possibilidade de aposentadoria ao fim do contrato é real e honesta. O Flu precisa se planejar para essa ausência agora, não em dezembro. Pré-contrato, scouting, movimentação — isso não pode esperar as homenagens de despedida.
Aí entra Hulk. Aos 39 anos, o cara ainda entrega números que envergonham meias de 25 nesse elenco. Cinco gols e três assistências em 22 jogos em 2026 é produção real, não simbólica. Mas o alerta que precisa ser feito é simples: o Fluminense não pode transformar a chegada de Hulk numa bengala. Savarino, John Kennedy, Martinelli, Castillo — esses caras precisam se assumir como protagonistas. Hulk pode ser referência de vestiário, pode ser decisivo em jogos específicos, mas se o Flu chegar em setembro dependendo de um atleta de 39 anos para resolver o jogo, tem algo muito errado na construção do elenco.
A vitória sobre a Chapecoense por 2 a 1, com gols de Savarino e John Kennedy, é um resultado positivo que merece reconhecimento. Terceiro lugar no Brasileirão com 26 pontos é consistência. Mas a Chapecoense não é parâmetro de exigência. O teste real vem agora, contra o Bolívar, na altitude da Bolívia, pela Libertadores. Esse tipo de jogo é onde o elenco mostra se tem maturidade de verdade ou se ainda é um time que funciona dentro de casa e complica fora.
O Fluminense de 2026 tem potencial real. Mas potencial sem gestão vira frustração. A diretoria precisa resolver o futuro de Ganso com urgência, planejar a vida sem Cano e usar a chegada de Hulk como complemento, não como solução. O torcedor merece um clube que pensa à frente, não um que apaga incêndio toda semana.