Coluna de Rafael Nogueira
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Rafael Nogueira

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Opinião

John Kennedy carrega, o clássico pesa, e a Libertadores não espera

O Flu perdeu para o Flamengo por 1 a 0 e empatou sem gols com o Palmeiras na Libertadores em menos de uma semana — dois resultados que, juntos, resumem bem o problema: o time tem estrutura de tabela, mas falta consistência para aproveitar os jogos que importam mais. Com 57% de aproveitamento e saldo 11, a base está lá. O teto é que ainda não ficou claro.

Dois jogos em quatro dias, dois resultados sem gol marcado. O Flu perdeu o clássico para o Flamengo por 1 a 0 no dia 11 e empatou em 0 a 0 com o Palmeiras pela Libertadores no dia 14. Se os números da temporada no Brasileirão ainda sustentam uma posição confortável — quarto lugar, 57% de aproveitamento, saldo de gols 11 —, essa sequência deixa uma pergunta incômoda no ar: onde está o ataque quando o adversário é de verdade?

John Kennedy tem nove gols na temporada e é o artilheiro isolado do time. Isso é tanto um mérito quanto um alerta. Mérito porque o jogador está cumprindo o papel de referência ofensiva com consistência. Alerta porque, nesses dois jogos mais duros da semana, ele não conseguiu deixar marca. Contra o Flamengo, o Flu não criou o suficiente para pressionar. Contra o Palmeiras, empatou sem gols em casa — o que, dependendo do que acontecer no jogo de volta, pode custar caro.

O retrospecto no clássico ajuda a contextualizar: em 57 confrontos entre os dois clubes, o Flamengo venceu 24, o Flu 17, com 16 empates. Ou seja, o Rubro-Negro leva vantagem histórica nesse recorte, e a derrota de domingo não é exatamente uma surpresa — mas também não deve ser tratada como fatalidade. O que incomoda não é perder para o Flamengo, é a forma: um gol sofrido, nenhum marcado, e a impressão de que a equipe não teve capacidade ofensiva para ameaçar.

O empate com o Palmeiras tem outra leitura. Em casa, 0 a 0 na Libertadores pode ser trabalhável dependendo do que o time conseguir fazer no jogo de volta. O histórico entre os dois não é encorajador — de 28 jogos, o Palmeiras venceu 14 contra 10 do Flu —, mas histórico não bota bola em gol. O que precisará acontecer é o Flu encontrar lá fora o que não encontrou em casa: mobilidade e efetividade ofensiva.

No Brasileirão, os 48 gols em 30 jogos dão uma média de 1,6 por partida — razoável, não dominante. Os 37 sofridos mostram que a defesa não é um problema crônico, mas tampouco é uma muralha. Com saldo 11, o time tem número para brigar pelo G-4 até o fim, mas quarta posição não significa nada em outubro se o aproveitamento cair nos próximos jogos.

O cenário atual é de um time que faz o suficiente para se manter entre os melhores no campeonato, mas que ainda não demonstrou capacidade de decidir quando a pressão aumenta. Isso não é catastrofismo — é o que os dois últimos resultados mostram. A temporada segue aberta, a Libertadores ainda tem uma segunda mão pela frente, e o Brasileirão continua com margem para correção. Mas essa semana cobrou um preço, e ignorar isso seria desonesto com o que aconteceu em campo.