Coluna de Rafael Nogueira
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Rafael Nogueira

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Quarto lugar com saldo 8: nem festa nem velório

O Fluminense está em situação melhor do que o humor da torcida sugere — e pior do que um empate em casa costuma parecer. O 0 a 0 com o Coritiba é só o número mais recente de uma campanha que mistura solidez defensiva com ataque que não converte o suficiente. Vale olhar os 28 jogos antes de decidir o tom da semana.

Vamos começar pelo que os números dizem antes de qualquer coisa: 13 vitórias, 9 empates, 6 derrotas em 28 jogos. Aproveitamento de 57%. Quarto lugar. Isso não é campanha de time em crise, mas também não é campanha de time que está dominando o campeonato. É exatamente o que o placar mostra — um time na briga, sem folga.

O 0 a 0 com o Coritiba em casa incomoda porque é em casa, e é Coritiba. Mas colocar esse resultado numa gaveta chamada "vergonha" sem olhar o contexto é preguiça. O Flu tem saldo de gols de 8 em 28 partidas — 44 marcados, 36 sofridos. Isso significa que, na média, o time marca 1,57 gol por jogo. É um número funcional, não é um ataque que assusta. E é esse número, não o humor da arquibancada, que explica por que um 0 a 0 acontece.

John Kennedy está com 9 gols na temporada e é o nome que sustenta o ataque. O problema quando se depende tanto de um único jogador é exatamente esse: quando ele não aparece, o time tem dificuldade para criar situações de gol com qualidade suficiente. Não é crítica ao Kennedy — 9 gols são uma contribuição real. É observação sobre como o sistema funciona quando a referência não tem seu dia.

A defesa, por outro lado, tem feito a parte dela com mais regularidade do que a torcida costuma reconhecer. 36 gols sofridos em 28 jogos é uma média de 1,28 por partida — abaixo de um gol e meio por jogo. Em tabela competitiva, isso é base para brigar por posição. O problema é que quando o ataque também não marca, você termina com o empate que terminou.

O que preocupa de verdade não é o resultado de um jogo, é o padrão. Com 57% de aproveitamento no geral, o Flu está na zona de acesso ou parte de cima da tabela dependendo de como o campeonato está estruturado, mas a distância para quem está acima ou abaixo ainda precisa ser lida com cuidado. Um time que vence 13 e empata 9 tem uma tendência clara de acomodar o jogo — e isso pode custar caro contra adversários que saibam explorar a passividade.

O que fazer com tudo isso? Manter o olho na tabela sem catastrofizar e sem comemorar posição como se fosse conquista. O Flu está onde está porque tem uma base defensiva razoável e um artilheiro funcionando. Falta consistência no restante do ataque para transformar aproveitamento mediano em campanha de fato competitiva. Isso não se resolve com raiva nem com festa — se resolve com os próximos jogos. E com sorte, com mais gente além do Kennedy colocando a bola pra dentro.