Coluna de Rafael Nogueira
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Rafael Nogueira

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Opinião

Saldo seis, aproveitamento 56%: o Flu está bem ou está enrolado?

Depois de levar 3 a 1 do Atlético-MG e empatar sem gols com o Platense, o Fluminense segue em quarto lugar com aproveitamento de 56% em 27 rodadas. Os números são de um time que não afunda, mas tampouco flutua — e esse meio-termo começa a incomodar.

Vou começar pelo número que resume tudo: saldo de gols seis. Em 27 jogos. Quarenta e um marcados, trinta e cinco sofridos. É o saldo de um time que passa mais tempo se defendendo do que deveria para quem está em quarto lugar. Não é catástrofe, mas também não é solidez — é fragilidade disfarçada de equilíbrio.

O 3 a 1 para o Atlético-MG na quarta-feira passada não foi surpresa estatística, foi confirmação de um padrão. O único gol do Flu saiu aos 90 minutos, com Rodrigo Castillo finalizando após assistência de Serna Jaramillo — o tipo de gol que aparece no placar mas não muda a leitura do jogo. O Atletico foi melhor, e por uma boa margem. No retrospecto entre os dois, são 12 vitórias do adversário contra 9 do Flu nos últimos 31 encontros — então jogar mal em Belo Horizonte não é novidade, mas também não pode virar desculpa.

Aí vem o Platense, segunda-feira, e o resultado é 0 a 0. Um empate contra time que o Flu venceu no único encontro anterior entre eles. Não tenho como avaliar o mérito tático sem ver os números de finalizações e chance criadas desse jogo, mas o placar fala por si: se você não consegue criar desequilíbrio contra um adversário assim, algo no seu setor ofensivo não está funcionando direito.

E é aí que John Kennedy vira a peça central da conversa. Com nove gols na temporada, ele é o artilheiro isolado do time — e o que isso diz não é que Kennedy é bom, é que o restante do ataque some quando ele some. Num time com aproveitamento de 56% e saldo de seis, você não pode ter dependência tão concentrada num único jogador. Dois jogos seguidos sem marcar são dois jogos em que Kennedy não decidiu, e ninguém mais se habilitou.

O aproveitamento de 56% em 27 rodadas — doze vitórias, nove empates, seis derrotas — mantém o Fluminense em quarto, o que em tese é posição boa. Mas se você olha esse número com alguma frieza, percebe que é aproveitamento de time que vive do empate. Nove empates em 27 jogos é um terço das partidas sem vencer. Em momentos de pressão no campeonato, esse padrão pesa.

Não estou dizendo que o time vai despencar. Quarto lugar com 27 rodadas jogadas é realidade, não ilusão. Mas a direção dos últimos dois resultados — derrota pesada para um rival direto, empate em branco contra adversário menor — aponta para um time que está no limite do que esse grupo consegue produzir. Se o setor ofensivo não ampliar a base de contribuição além de Kennedy, o aproveitamento vai continuar nesse patamar mediano que não afunda, mas também não classifica para nada melhor do que está.

É isso. Não é drama, não é alarme. É 56% precisando virar outra coisa.