Opinião tricolor ·
43% de aproveitamento não mente: o Flu tem problema de regularidade, não de projeto
A derrota para o Platense expõe o que os números já vinham dizendo: o Fluminense vive de razoável para baixo na temporada, com saldo de gols quase nulo e artilheiro com apenas dois gols em dez jogos. Antes de olhar pro Corinthians, vale entender o que esse time ainda não resolveu.
Derrota por 2 a 1 para o Platense. Dói, claro. Mas o que incomoda mais do que o resultado em si é o que ele confirma: em dez jogos na Copa, o Fluminense tem aproveitamento de 43%. Três vitórias, quatro empates, três derrotas. Onze gols marcados, dez sofridos. Saldo de um. É o retrato de um time que não afunda, mas tampouco flutua — fica na zona de indefinição, aquela faixa onde você não consegue dizer se o time é bom, ruim ou simplesmente mediano. E mediano, nessa altura, é o diagnóstico mais honesto disponível.
O gol de Canobbio aos 57 minutos, assistido por Hulk, deu esperança, mas o Platense já havia aberto 2 a 0 antes disso. O Flu entrou no segundo tempo com o jogo comprometido e conseguiu só descontar — um padrão que não é novidade. Quando o adversário consegue sair na frente com alguma consistência, o time não tem volume ofensivo suficiente para virar. E o número que confirma isso está na artilharia: Canobbio lidera os gols na temporada com apenas dois. Dois gols em dez jogos, pelo artilheiro. Não é catástrofe, mas é sintoma claro de que o ataque não produz o que deveria.
Hulk distribuindo assistências a essa altura da carreira é curioso — e útil — mas é sinal de que o time depende demais da criatividade individual para aparecer no terço final. Soteldo saiu aos 72 minutos sem ter emplacado grande coisa. Ganso levou amarelo e foi trocado por Luciano Acosta, o que diz algo sobre o ritmo do jogo. O meio não funcionou como deveria funcionar numa equipe que precisa controlar partida.
Agora vem o Corinthians no Campeonato. O retrospecto recente é equilibrado: em 33 jogos, 11 vitórias do Flu, 10 empates e 12 do Corinthians. Não existe favoritismo histórico relevante aqui — é essencialmente um jogo disputado no papel, como costuma ser no campo. O ponto preocupante é que o Flu chega a esse jogo sem ritmo. Três resultados negativos (contando empates que não viram vitórias) nos últimos jogos pesam sobre a confiança, e confiança deficitária contra um adversário que pode explorar espaço é problema real.
Mas antes de decretar crise, é preciso ser justo com o contexto. Saldo de gols positivo — ainda que seja só um — e posição 2 na tabela da Copa indicam que o time não está destruído. Está irregular. Tem dias bons e dias ruins sem conseguir encadear uma sequência sólida. Isso é diferente de um time perdido taticamente ou sem elenco. O elenco tem qualidade. O problema está em como essa qualidade aparece com consistência.
O que o Fluminense precisa resolver até domingo não é milagre: é conseguir entrar com mais pressão nos primeiros quarenta e cinco minutos, evitar o ciclo de sofrer cedo e correr atrás. Porque correr atrás com esse ataque de dois gols no artilheiro é apostar em sorte, não em futebol.