Opinião tricolor ·
43% de aproveitamento não mente: o Flu ainda não encontrou o rumo
A derrota para o Platense expôs o que os números já vinham dizendo há semanas: um time que marca pouco, sofre na mesma medida e depende de lampejos individuais para aparecer. Antes de pensar no Corinthians, vale entender por que a equipe chegou até aqui com saldo de gols de apenas +1 em dez partidas.
Tem uma coisa que 43% de aproveitamento em dez jogos não deixa esconder: esse Fluminense ainda está mais perto do mediano do que do competitivo. Três vitórias, quatro empates, três derrotas. Onze gols marcados, dez sofridos. Saldo de um. Não é crise, mas também não é base sólida pra nada — é um time que empata muito, perde quando não devia e vence sem convencer.
A derrota para o Platense no dia 15 entrou nessa conta como mais um capítulo previsível. O Flu saiu na frente com Canobbio aos 57 minutos e levou a virada. Não foi azar — foi o padrão de um time que ainda não aprendeu a administrar resultado fora de casa. O Platense não é nenhuma potência, e ceder dois gols depois de abrir o placar é um sinal de fragilidade defensiva que os números da temporada já apontavam: dez gols sofridos em dez jogos é uma média que incomoda em qualquer tabela.
Outro dado que merece atenção: o artilheiro da temporada é John Kennedy, com dois gols. Dois. Em dez jogos. Não é culpa do Kennedy — ele faz o que pode — mas é o retrato de um ataque que não produz o suficiente. Onze gols em dez partidas dá 1,1 por jogo. Com esse volume ofensivo, o time não tem margem pra errar atrás.
Agora vem o Corinthians, no dia 20, com um retrospecto que não aponta favorito claro: nos últimos 33 confrontos diretos, são 12 vitórias do Corinthians, 11 do Flu e 10 empates. Equilibrado, como costumam ser esses jogos. O problema é que o Fluminense chega a esse confronto com moral em baixa e sem uma referência ofensiva que inspire confiança. Se o time vai buscar os três pontos ou já sai de casa pensando em não perder, isso vai dizer muito sobre onde a comissão técnica enxerga a equipe nesse momento.
Vale notar também as substituições no jogo contra o Platense: Soteldo, Ganso, Canobbio e Hulk saíram no segundo tempo, com o time já perdendo. Ou seja, a equipe titular não segurou, e as opções do banco não reverteram. Isso é relevante porque mostra que o problema não está só no esquema inicial — está na profundidade do elenco, ou na dificuldade de usar bem o que tem.
O Fluminense não está eliminado de nada, e nenhuma derrota isolada justifica catastrofismo. Mas 43% de aproveitamento com saldo de gols de +1 coloca o time na posição 2 da Cup sem nenhuma gordura pra queimar. Se o padrão ofensivo não melhorar — e rápido — o clube vai continuar dependendo de que os adversários também não produzam, o que é uma estratégia frágil pra qualquer competição.
O próximo jogo vai revelar se esse é um time com identidade ou um time que ainda está procurando uma.