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Fluminense aposta alto em contratações, mas enfrenta desafio com dívida bilionária

Redação Sou Tricolor de Coração
Fluminense aposta alto em contratações, mas enfrenta desafio com dívida bilionária

O Fluminense revelou em seu balanço de 2025 um passivo de R$ 1,042 bilhão, fruto de dívidas fiscais e compromissos com jogadores. Apesar desse cenário, o clube avança em estratégias de renegociação e investimentos no elenco, visando manter competitividade e garantir retorno financeiro no futuro.

O Fluminense divulgou seu balanço financeiro de 2025, revelando um passivo total que ultrapassa R$ 1,042 bilhão. Este valor, embora elevado, reflete principalmente obrigações fiscais, compromissos com jogadores e acordos judiciais. O clube, contudo, destaca que está em curso uma transformação no perfil dessa dívida, com ênfase em prazos mais longos, renegociações e maior previsibilidade nos pagamentos.

A maior parte desse endividamento está ligada a tributos parcelados, que somam R$ 469,9 milhões, seguido por contas a pagar por jogadores, totalizando R$ 244,1 milhões. Além disso, há valores significativos relacionados a acordos judiciais e obrigações trabalhistas, que somam, respectivamente, R$ 91,3 milhões e R$ 58 milhões. Esses números evidenciam que as dívidas do clube são, em sua maioria, compromissos históricos e estruturais, e não apenas fruto de movimentações recentes do mercado.

Desde 2019, a dívida do Fluminense cresceu de R$ 864 milhões para R$ 1,043 bilhão em 2025. No entanto, o clube esclarece que esse aumento não é meramente um acréscimo de obrigações, mas também resultado de correções pela taxa Selic e da inclusão de valores que não haviam sido contabilizados por gestões anteriores. Além disso, se não fossem os mais de R$ 500 milhões já pagos ao longo desse período, o passivo poderia ter atingido R$ 1,49 bilhão.

Para lidar com essa situação, o Fluminense implementou o Regime Centralizado de Execuções (RCE) em 2022, mecanismo que suspende bloqueios judiciais e oferece previsibilidade financeira. Acordos com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional permitiram ao clube obter descontos significativos, como os R$ 90 milhões no passivo tributário, e alongamento dos prazos de pagamento. Leilões no Tribunal Regional do Trabalho também foram realizados, resultando em aportes que reduziram em cerca de 30% as dívidas trabalhistas.

Outro aspecto importante é a categorização das dívidas ligadas ao futebol. Quando excluídos os investimentos em jogadores, o passivo do Fluminense cai para aproximadamente R$ 812 milhões. Isso porque parte desses compromissos está vinculada à aquisição de atletas, considerados ativos esportivos e econômicos, com potencial de valorização e geração de receita.

Durante 2025, o Fluminense investiu cerca de € 59 milhões (aproximadamente R$ 320 milhões) na compra de jogadores. Embora esse valor seja contabilizado como ativo, ele também impacta o passivo devido à natureza parcelada de muitos desses negócios. Assim, os R$ 244,1 milhões em contas a pagar por jogadores tornam-se um dos principais componentes da dívida total.

Esse aumento no investimento em atletas está alinhado ao crescimento das receitas do clube e à busca por competitividade em alto nível. O balanço demonstra que o Fluminense tem direcionado mais recursos para fortalecer seu elenco, ampliando o potencial de retorno esportivo e financeiro.

Apesar da dívida elevada, o relatório aponta para uma melhora nos indicadores estruturais do clube, com o passivo a descoberto — a diferença entre ativos e obrigações — reduzindo de R$ 400 milhões negativos em 2019 para cerca de R$ 185 milhões negativos em 2025.

Entretanto, a auditoria independente chama atenção para alguns desafios, como a subavaliação de contingências e o capital circulante negativo. O futuro do clube, como ressalta o relatório, depende da execução eficaz de medidas de reequilíbrio financeiro. De modo geral, embora o Fluminense ainda carregue um passivo significativo, ele busca uma mudança no perfil de suas dívidas e aposta no fortalecimento de seus ativos como parte da estratégia de reorganização financeira.

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Redação Sou Tricolor de Coração

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